Santo Agostinho: “SoliLoquio” O Espírito Santo: fonte da ação reveladora de Deus


Crer no Espírito Santo é reconhecer a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. O mesmo é procedente do Pai e do Filho e, assim como ambos, é adorado e glorificado igualmente. O Espírito nos foi enviado para que ressurgíssemos para uma nova vida em Deus. Apesar de haver distinção na Trindade não há divisão, sobretudo, entre o Filho e o Espírito, pois é através da ação reveladora do Espírito que conhecemos o Verbo agindo na Igreja.

Na Escritura o Espírito Santo recebe várias denominações. Entre elas Paráclito, Consolador, Advogado, Espírito de Verdade, Espírito de Cristo, do Senhor, de Deus, da glória, da promessa. Todas estas nomenclaturas designam a veracidade do Espírito, que é verdadeiramente a terceira pessoa da Santíssima Trindade.

Signos concretos e numerosos são usados para representa-Lo. Água viva, que brota do coração chagado de Cristo; unção com o óleo, sinal sacramental de sua presença; o fogo, capaz de mudar o que toca; a nuvem, escura ou luminosa, revelando a glória divina; a imposição das mãos, símbolo de sua transmissão e a pomba, insígnia da capacitação que Dele emana.

O Espírito Santo age, ainda, cumprindo as profecias do Antigo Testamento através de Jesus. Daí a expressão “falou por meio dos profetas”, termo que engloba todos os que foram inspirados para falar em nome de Deus. Neste rol encontramos João Batista, último profeta do Antigo Testamento, que anunciou a vinda do Messias de forma concreta “para preparar um povo bem disposto para o Senhor” (cf. Lc 1, 17).

Vítima da ação salvífica do Espírito é também Maria, a Virgem Santíssima, que, por méritos divinos através do Paráclito, torna-se fecunda a ser mãe do Messias, o Cristo redentor. Há também uma íntima relação entre o Espírito e Cristo Jesus, como realçado anteriormente, em sua missão pública.  O Filho de Deus é consagrado Messias mediante unção do Espírito desde sua Encarnação. Tal mistério é revelado quando Jesus O comunica soprando sobre seus apóstolos cinquenta dias após sua Ressurreição, derramando-o com profusão.

A partir de então nasce a Igreja. Nela o Espírito atua de forma a animar, edificar e santificar dando aos batizados a semelhança divina outrora perdida com o pecado e revivendo-os em Cristo. Esta ação é realizada pelos sacramentos, “sinais visíveis da graça invisível”. 

O povo reconstituído, salvo e vivificado forma a Igreja, que após a ação salvadora transformam-se em templos vivos do Espírito Santo. Ela também é indicada por cognomes relacionados ao pastoreio exercido por Jesus e tudo por ele aglutinado, tais como ovelhas, aprisco, rebanho, campo, oliveira, templo, esposa etc. É originária do desígnio eterno do Altíssimo e nele encontra sua consumação tendo por missão o anúncio e instauração do Reino de Deus, fator repleto de mistério, pois em sua realidade visível está presente e operante uma realidade de caráter espiritual, divino, percebido somente pela ótica da fé. Por isso, carrega em si o significado do sinal de reconciliação e de comunhão da humanidade com Deus.

A Igreja é classificada como povo de Deus, corpo de Cristo e templo de Espírito Santo. Entende- se por povo de Deus, pois sabendo que ao participar das celebrações e mergulhar no mistério por ela proposto o fiel encontra o caminho da salvação pelas vias da santidade.  Por meio de Espírito, Cristo morto e ressuscitado une a si intimamente os seus fiéis, destarte corpo de Cristo. Posto que o Espírito reside no corpo e um corpo é formado por cabeça e membros, tem-se a ideia clara de templo do Espírito Santo.

Ainda é determinada em Igreja una, santa, católica e apostólica.  É una porque tem por modelo a Trindade indivisa – Cristo restabelece a unidade de todos os povos e congrega-os na mesma fé. A Igreja é santa porque Deus Altíssimo é seu autor, Dele provém à fonte da santidade. Jesus por ser “cabeça da Igreja que é seu corpo” (cf, Cl 1, 18) emite santidade que Lhe é própria santificando na totalidade seus demais membros. Santidade esta que não sofre dolo, pois o pecado exclui automaticamente o fiel da comunhão eclesial.

Por ter Cristo presente e anunciar no seu todo a integridade da fé, administrando os meios de salvação e permanecendo em todos os lugares de forma universal recebe o título de católica. Sua origem encontra-se firmada no “alicerce dos apóstolos” (cf. Ef 2,20) e tem seu ensinamento fidedignamente inspirado nas exortações dos apóstolos e por eles, através de seus sucessores – os bispos, é administrada pastoralmente. Logo, é apostólica por meio de tais características.

Por congregar fiéis em torno de si que buscam a Cristo, e a eles são configurados via Batismo, e por serem chamados a exercer a missão confiada por Deus a Igreja, faz-se necessária uma forma hierárquica de organização. Na Igreja, por instituição divina, há os ministros sagrados que receberam o sacramento da Ordem. Os demais são chamados de leigos. Destes derivam os fiéis que se consagram de forma especial professando os conselhos evangélicos: castidade no celibato, pobreza e obediência.

A fé, a Eucaristia, os carismas e outros dons espirituais estimulam o fiel “a por tudo em comum” (cf. At 4,32) levando-os a uma comum participação, como membros da Igreja, nas coisas santas e designando, também, a comunhão fraterna entre si, ou seja, entre os que pela graça estão unidos a Cristo. Todos juntos formam em Jesus uma só família, a Igreja, para louvor e a glória da Trindade.

Seminarista Ricardo Antônio Dantas (XXIII C.C.C).

(texto base: “Creio no Espírito Santo”, CIC, cap. III).


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