Liturgia do dia

1ª Leitura: Is 61,1-2a.10-11

Salmo: Lc 1,46-48.49-50.53-54 (R. Is 61,10b)

2ª Leitura: 1Ts 5,16-24

Evangelho: Jo 1,6-8.19-28

Santo do dia

SANTO DO DIA 17 DE DEZEMBRO

São João da Mata

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MARIA, RAINHA DAS FAMÍLIAS, ATENTA NAS BODAS DE CANÁ


Quando o homem e uma mulher se decidem a, livre e espontaneamente, aceitar-se em matrimônio, acontece o plano de Deus. É como se o sonho de Deus se tornasse realidade no ato que faz de dois corações um só. O vínculo matrimonial não é obra simplesmente de um ato humano, mas do Amor Divino que quer palpitar no coração daqueles dois seres que, pela comunhão de vida, desejam fazer-se uma só carne.

O problema está naqueles que abraçam a vida matrimonial, e se esquecem de que são instrumentos do Amor Divino. E desde descurar, começam a pautar a sua vida conjugal nos aspectos humanos, que como passar do tempo, tornam-se efêmeros e insuficientes, fazendo-os cair na monotonia e no desgaste tamanhos que se torna insustentável o viver a dois. É preciso que os casais tenham em mente de que a sua vida a dois deva corresponder àquilo que é querido de Deus, e que a sua vida matrimonial é fruto de um amor de Cristo que os une à obra de Deus.

O sinal que está nas Bodas de Caná é um convite para irmos ao encontro do único e verdadeiro amor das nossas vidas, correspondendo, assim, à nossa vocação específica: eu, como consagrado, como Bispo da Igreja; e aqueles que se receberam pelo matrimônio através de um amor-comunhão de duas vidas. Isto é prezar pelo vinho novo, principalmente quando se acaba o vinho inferior, o vinho antigo, o vinho quase vinagre que tenta botar uma mácula no coração das famílias. Maria aparece como intercessora e mediadora. Aquela que sabe olhar a necessidade dos irmãos vai dizer ao Filho que está faltando o essencial para a festa. Ela o faz confiandon’Ele, sugerindo que tenhamos igual confiança. A Mãe das Famílias tem o seu coração entristecido por ver que tantos e tantos lares estão nos dissabores da falta de amor, de compreensão e de respeito.

A presença de Jesus na vida a dois é garantia de que o essencial jamais faltará, e que, mesmo que as dificuldades conjugais advenham, Ele está pronto para ajudar a solucioná-las. Como Deus é dotado de uma grande capacidade criativa, Ele fortalece o relacionamento de cada dia. E, diante de momentos cruciais ou mesmo de alegrias e satisfação, a presença espiritual de Maria (que nunca vem sozinha, mas acompanhada de seu Filho) numa boda, numa vida a dois, pode ser vista como sinal do seu compromisso com avida conjugal, com a vida das famílias, e um convite comum à ousadia do Evangelho.

O simbolismo da transformação da água em vinho sugere a necessidade de transformação que a ‘construção do casal’ exige. A ideia de festa que perpassa por este evangelho das Bodas de Caná é um convite à alegria dos esposos e, simultaneamente, um convite à confiança em Jesus, a exemplo de Maria. Ela alerta, em primeiro lugar, para o vinho que falta na relação conjugal, e, enfim nas famílias. A sua sensibilidade viu a carência dos noivos. Jesus supriu as suas necessidades e os serventes obedeceram: o vinho da transformação era de melhor qualidade do que o anterior, e é a marca da ação de Jesus. A esta associação de fatos ao inesperado, os noivos convidaram Jesus e sua mãe para festa e a transformação aconteceu. Não seria um convite premente, por parte das nossas famílias, para que Jesus e sua mãe se façam presente nelas, transformando as dores, as cruzes e as dificuldades em momentos felizes de festa de Deus?

Creio que neste momento são plausíveis alguns questionamentos que as famílias podem responder no íntimo do interior de cada uma delas mesmas. Primeira pergunta: confiamos em Jesus e escutamos o que Ele nos diz? Executamos o que Maria nos sugere quando diz: façam o que ele lhes disser? Os casais se dão conta de que a vida a dois é um ‘verdadeiro milagre’? Que significado atribuem ao papel de Deus desse ‘milagre’ cotidiano? Será que o ‘vinho’ do amor não está insípido, sem gosto, por causa da rotina da vida e de elementos estranhos que desejam se instalar no âmago da vida matrimonial? E o da compreensão que exige uma escuta diferente? Como anda o diálogo na vida a dois? E a partir da vida a dois na vida de toda a família? Não será que Maria alerta em primeiro lugar para o vinho que falta na relação conjugal das famílias e com aqueles que as rodeiam?

Mediante estas perguntas que iluminarão a análise da vida a dois, é preciso que se veja o casamento renovável diariamente pelo Matrimônio (cotidianamente bem vivido) como ato mesmo de Cristo. O sacramento do matrimônio vem unir duas pessoas, duas vidas, mas um terceiro associa-se a essa união: Cristo casa os esposos e serve-se deles para ministros. Não é só no dia da celebração do casamento que Cristo oferece aos esposos as suas graças de amor, mas igualmente ao longo da vida em que Cristo não estará somente perto deles, mas neles. Isso é fazer de Cristo o vinho novo da Alegria, o vinho constante da Sua presença renovadora, ovinho de sabor único para as famílias, a começar dos casais.

O sacramento do matrimônio é uma fonte permanente de graça para os esposos. Enquanto durar a sua vida conjugal, “o casamento permanece, logo após a sua realização, uma fonte de graças: a sua união, o seu compromisso permanente não deixa de ser, para os esposos, a sua própria aliança à graça do Senhor, com a qual Deus se serve para santificar, espiritualizar, divinizar cada um, assim como aperfeiçoar o seu amor e a sua união” (Padre Henry Caffarel).

A vida do casal na vida mesma de Cristo recebe graças de amor. Graças estas que o Senhor não as deixa de dispensar: de cura e purificação, transfiguração e fecundidade, que brotam do Coração de Jesus. Colaboradores de Deus e corredentores com Cristo, os pais têm o dever não somente de despertar nos seus filhos, mas de cultivar (como um trabalho de todos e para todos de um lar) o sentido de quererem modelar-se à semelhança do seu ‘Irmão Divino’. Cultivando as graças do seu Batismo, o sacramento diariamente renovado do Matrimônio nasce do coração de Deus e age como sinal de graça para os cônjuges, que se situam ao lado de Deus, comungando com Ele. Creio ser ainda pertinente perguntar: como agem os esposos diante da presença de Cristo que lhes fortalece a fé e os votos de amor, respeito, fidelidade e colaboração na obra da criação feitos no dia do Matrimônio?

Por fim, queridos irmãos, assim como Maria foi atenta às necessidades dos noivos de Caná, peçamos-lhe também patrocine as nossas famílias, os nossos casais: “Maria, Rainha das Famílias, atenta nas Bodas de Caná, faz de nós pessoas com olhos abertos e mãos disponíveis a tantos que se embriagam com vinho ruim da falsa felicidade. Distanciam-se de Deus, de seus semelhantes e destroem a natureza do vínculo conjugal. As nossas famílias necessitam do vinho da Alegria, de Vida com sentido, com sabor, com beleza. As nossas famílias carecem de Deus por não saber procura-Lo como convém. Mostra-nos o Teu Jesus, ó Mãe, e que possamos escutar-te, instantaneamente, a nos dizer: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser!’”

 

DOM DULCÊNIO FONTES DE MATOS
Bispo Diocesano


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